quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Páginas da Amazônia


Para quem é amante das letras e quiser viajar pelas páginas da Amazônia, eu indico o livro de José Augusto Fontes.
O livro Páginas da Amazônia - Proseando na Floresta traz oitenta crônicas e contos com temas amazônicos, em geral, retratando nosso cenário vasto e multifacetado, com grande concentração nas coisas simples das matas, dos rios e da gente da floresta. Em outro foco, a cidade de Rio Branco é largamente visitada, desde os tempos em que o autor era menino, com imagens de locais e personagens da aldeia que virou cidade. O autor diz que Rio Branco é o lugar dele e o Acre é sua paixão, embora sua obra seja do mundo e dos lugares mais distantes.

"Este livro é para o Acre, minha paixão. É para Rio Branco, meu lugar. É da floresta e da Amazônia, é dos bichos do mato, da gente e das coisas simples. É também dessa gente toda em volta, desses lugares mais adiante. É para minha aldeia, mas é do mundo. Ele é grande, mas também é simples".

Junto com essas abordagens, há temas e preocupações com a vida cotidiana e universal, vistos pelas páginas do livro, misturando prosa e poesia, na obra que deve ser lida pelos amantes da palavra escrita bem trabalhada. Francisco Dandão, que prefaciou o livro, definiu bem ao escrever que "a busca da palavra certa agasalhos regionalismos, brasileirismos e universalismos", e concluiu, reproduzindo este trecho de José Augusto Fontes: "Como luz, a palavra viaja continentes e pensamentos".

O livro traz também diversas fotos, em cores e em preto e branco, muitas do autor e várias do fotógrafo Edison Caetano, todas elas de locais do Acre. São fotos dos rios, de árvores, das matas e de lugares que denotam acreanidade constante, revelando grande amor pelas coisas da nossa terrinha e da Amazônia.


Acreano, formado em Letras e em Direito. Juiz, cronista e poeta. O autor escreve desde os anos de 1980 em jornais de Rio Branco e já participou de várias antologias nacionais e até internacionais, tendo publicação pela Fundação Roberto Marinho, em livro do Projeto Poronga, além de diários como o Jornal do Brasil. José Augusto Fontes é cronista do Jornal Página 20 aos domingos.

Fonte: http://www.k2editora.com.br/autores/paginasdaamazonia.htm

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Duas Luas


A lua em teus olhos virou duas. As imagens que dali surgiram me trouxeram de volta as muitas cores de uma loja de tecidos, sedas cambraias, linhos, algodões e chitões. A mulher que hoje traduz o amor veio sendo feita em minha vontade num acúmulo de sensações que os anos vieram instalando nas idéias, nos desejos, nas esculturações do olhar e do imaginar, até poder pegar, ter e mais gostar. Eu a queria assim, meio quieta, como muitas outras que eu quis ali e acolá. A queria revolucionária, como companheiras que eu quis, pelo caminho ideológico que leva aos duelos corporais, prevendo que nosso duelo seria intenso, mas bem ritmado. Eu a queria com essa maciez cheia e pequena, a queria com esse sorriso tímido, com essa determinação que me governa, com esse calar que me acalanta, com essas mãos que me embalam. E depois de tantos anos, essas luas me mostram cores que passam de duas.

Eu a queria assim e tanto, mas não sabia das cores nos olhos, da cacimba que encanta quem lhe procura o fundo, do sorriso que reflete a lua e a faz duas. Foi assim num dia desses, num olhar passageiro, num rápido passar de vista, que um brilho de lá me laçou, com cordinhas de filme infantil, cheias de estrelinhas, num céu de lua grande e clara, a porcelana que uma poesia viu sobre a seda azul, aqui num ambiente de verde indefinível, uma aquarela de verde, com tanta imagem, como as cores de um chitão, e sem desfraldar a bandeira na imensidão, calei, apenas senti a revolução, apenas me agarrei na emoção, para depois te escrever assim.

Pego tua mão, passeio pelo tempo, em minha infância havia uma loja de tecidos, as cores queriam me falar de ti, e só agora entendi a brincadeira, só agora vi que as imagens vinham avisando. As cores pintadas nas luas em teus olhos, num painel cheio de verde, refletem a floresta que sempre me emoldurou. O que hoje está, já vinha sendo tecido pelo tempo, já estava semeado quando o amor era criança, mas a imagem real só poderia ser vista dentro dos teus olhos. E foi assim, depois de anos e momentos, depois de dar cria o sentimento, quando aquela lua virou duas, que um brilho de aquarela me abriu a janela e eu confirmei que era assim mesmo que eu te queria. Dentro daquelas luas, um segredo guardava o que eu sabia, mas ainda não via.

Autor: José Augusto Fontes
Cronista do Jornal Página 20.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Tarauacá, minha cidade está doente


Por Janilson Lopes Leite*

Há alguns dias estive visitando minha cidade, passei em cada rua, em cada bairro, visitei amigos, parei para conversar, para ouvir as pessoas, conhecer o sentimento que habita por ali. Não posso dizer outra coisa a não ser que senti tristeza, uma sensação de estar regressando ao atraso, um sentimento de que destruíram meu lar.
Em cada parte da cidade o contraste das forças do avanço com as do atraso. Vi belas casas, lindas lojas, hotéis, belos carros, mas também vi ruas destruídas, urubus nas ruas, lixo nas calçadas, prédios públicos caindo. Vi uma migração social de minha cidade para a nossa irmã Feijó. Gente que busca uma consulta, atividades culturais, fazer exames, namorar e até mesmo estudar. Queixas, arrependimento, tristeza, raiva, preocupação e medo são os sentimentos e situações que movem as pessoas por ali. A pergunta é “onde foi que erramos”? O erro que faz Tarauacá sangrar não é de agora, é de décadas; não é individual, é coletivo; não é um ato fora de nossa idiossincrasia, e sim uma prática cultural no nosso meio.
Muitos de nossos políticos padecem da síndrome do novo rico. Quando chegam ao poder, se lambuzam na lama da corrupção, e se transformam em "Sheiks". Esquecem que um dia foram pobres, e torturam os pobres. Mudam de partido e de amigos como mudam de camisas. Vendem sua moral e seu mandato por favores pessoais e ignoram o voto do povo.
Não, não devemos estar surpresos com o que estamos vivendo, e sim tristes. Essa é a herança que nossos governantes locais deixam aos nossos jovens, transformam literalmente a política na arte do possível; passam a idéia de que vencer na vida é deixar de ser pobre e passar a ser rico, mesmo que seja necessário deixar pelo caminho a ética, a moral, a confiança depositada pelo povo, e a consciência das mãos limpas.
Tarauacá precisa de um novo perfil de político, como um dia o Acre precisou. Precisa de homens e mulheres que encham seu povo de orgulho e não de vergonha; que compreendam a diferença entre a coisa pública e a particular; que olhem para o futuro e não para seu umbigo; que saibam e valorizem os conceitos de vergonha, ética, moral e responsabilidade; que adocem e não que ridicularize a terra do abacaxi.
Um dia o povo de Tarauacá banirá esta doença social e política de nossa cidade; construirá o novo homem, uma nova sociedade, um novo lugar. O espírito de nosso povo se renovará, e jamais voltará ao passado. Seremos verdadeiramente a cidade da mulher bonita e do abacaxi grande. Seremos o vizinho admirável de nossa amiga Feijó, de um povo alegre, futurista, atualizado e feliz, pois o Acre já encontrou o seu caminho, e nós tarauacaenses, somos também acreanos.
*Médico e miltante do PC do C

domingo, 23 de agosto de 2009

Vamos ao teatro?

Festival Acriano de Teatro – FETAC Em Cena

Dia: 23 a 29 de agosto de 2009.

Locais: Teatro Plácido de Castro, Teatro de Arena do SESC e no calçadão do Novo Mercado Velho.

Horário:
18h - Espetáculos de classificação livre.
20h - Adulto.

Fonte: www.culturarb.blogspot.com

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Retratando o Acre

Inicia hoje, dia 14 de agosto, a exposição “Retratando o Acre” do Artista plástico Marco Lenisio.

Dia: 14/08 a 11/09/2009.

Horário: das 8h às 21h.

Local: Salão de Exposições do SESC – Centro.



Prestigie!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Literatura acriana



Esta é a resenha do livro lançado por Moisés Diniz:


DEUS E O DIABO NA TERRA DE GALVEZ

NELSO LIANO JR.

O escritor Paulo Coelho costuma dizer que para um livro ser bom é preciso que o seu autor viva a história. A premissa do Best Sellers internacional poderia se aplicar bem à obra que Moisés Diniz publicou recentemente, O Santo de Deus. A história do Massacre de Lavras, que aconteceu, em 98, num seringal perdido das matas do rio Tauri, próximo a Tarauacá, quando seis moradores, inclusive duas crianças, foram assassinados, é contado a partir da vivência do autor. As mortes e as torturas ocorreram a mando de um casal de pastores de uma seita evangélica para as vítimas serem "purificadas" dos seus pecados e da influência do Demônio. Eles diziam estar tendo visões de Deus que "ordenava" os sacrifícios. Na época do episódio, Moisés Diniz, vivia naquele município e pode presenciar as reações da população diante de fatos tão trágicos. As especulações e as dúvidas geradas pelos acontecimentos, a revolta e o desejo de vingança que se abateu sobre os moradores de Tarauacá.

Para encontrar explicações ao que parece inexplicável o livro carrega no tom místico e nas interpretações bíblicas do Velho Testamento. Talvez devido ao fato de Moisés Diniz ter sido seminarista no Juruá e quase se tornado Irmão Marista. Nas páginas do livro o autor luta contra as contradições do seu conhecimento para interpretar as motivações de um grupo de crentes transformados em assassinos sanguinários.

A matéria prima de O Santo de Deus é o fanatismo religioso provocado pelo isolamento de uma comunidade perdida no interior da Floresta Amazônica. Seres esquecidos à própria sorte que encontraram nas promessas do "Paraíso" uma saída para o sofrimento cotidiano. Eles acabam trilhando um atalho perigoso a caminho do Céu e, cometendo uma espécie de suicídio coletivo. Mesmo porque aqueles que não morreram das torturas físicas serão eternos torturados nos seus espíritos. Aliás, o assunto deveria servir de alerta para que as pessoas não usem a religião como fuga. Quando tudo vai mal a única solução é Deus. Não é bem assim. O conhecimento espiritual é um caminho de autoconhecimento para a elevação de cada um.

A obra é uma reportagem que vai além dos fatos e tenta perscrutar a alma humana forjada na solidão e no abandono dos seringais acreanos que entraram em decadência depois do esplendor da borracha. Tem alguns momentos da leitura que não sabemos se o autor fala de gente ou de bestas irracionais. Mas é aí que aparece um elemento instigante. Como ribeirinhos analfabetos chegaram ao ponto de dominar as palavras da Bíblia? Essa é a questão que o escritor trabalha com uma sagacidade única de quem teve intimidade com as Escrituras Sagradas, na juventude e, deve ter gestado muitas dúvidas interpretativas dentro de si.

De repente, Moisés Diniz, se vê diante de fatos macabros gerados pela exacerbação mística na sua própria terra. Como garimpeiro da alma dedica-se dez anos para encontrar explicações e vencer a jornada literária em direção de uma das possíveis verdades. O escritor entrevistou durante esse tempo os atores do macabro espetáculo de Lavras em busca de soluções satisfatórias. O resultado é uma obra bem escrita com uma linguagem mística, reflexiva e misericordiosa. O Santo de Deus não condena ninguém ao inferno, mas fala de pessoas que já nasceram condenadas pelo isolamento e o abandono social. Como dizia o escritor francês Jean Paul Sartre, "o inferno são os outros".

O Santo de Deus é um registro definitivo de uma história que muitos queriam que fosse esquecida. Um alerta dos estragos que o fanatismo religioso pode causar às comunidades nativas. Infelizmente a história contada pelo escritor continua a acontecer a cada vez que um missionário cristão prega a culpa numa aldeia indígena. Quando um pseudo-pastor, no Juruá, vai à casa dos católicos xingá-los e ofendê-los como adoradores de imagem, ou no momento em que um político pretensioso se diz guiado diretamente por Deus nas suas decisões. Um atentado moralista ao livre-arbítrio, como o descrito no livro, pode estar prestes a acontecer na periferia de Rio Branco ou de qualquer outra cidade do Acre. Basta, algum pseudo-guia espiritual mal intencionado, de qualquer religião, se dizer o "dono da verdade" e manipulá-la de acordo com os seus interesses pessoais.

O Santo de Deus é, portanto, uma literatura viva e atual. Agora, os verdadeiros políticos preocupados com o bem-estar social, precisam dotar a sociedade de instrumentos de inclusão para impedir que massacres como o de Lavras nunca mais se repitam em terras acreanas.


Para adquirir o livro:


LIVRARIA BETEL

RUA GUIOMARD SANTOS, 348

BOSQUE, CEP: 69909-370

RIO BRANCO - ACRE

(68) 3224-8758


sexta-feira, 5 de junho de 2009

Inscrições para o II Prêmio de Literatura Garibaldi Brasil

Os escritores podem apresentar obras nas categorias de Conto, Crônica, Romance, Poema, Ensaio, Memórias e Casos. Cada autor pode concorrer com até três obras por categoria. A premiação é de R$ 1.500,00 para o 1º lugar, R$ 1.000,00 para o 2º lugar e R$ 500,00 para o 3º lugar, por categoria.

Maiores informações: (68) 3224-0269 e (68) 3223-5202 ou na Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil (Parque Capital Ciríaco).

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sou

Sou a flor mais fraca de uma árvore
Sou a flor que ficou sem pétalas e foi esquecida
Sou uma pessoa fraca e entristecida
Minha alma vive chorando; que chore!

Chorar é bom; que esse choro demore
Sou o lamento em pessoa, sou lágrima caída
Sou a poesia que ninguém ler, a poesia perdida
Estou entre muitos, portanto há quem me ignore

Mas não é por isso que loucamente choro
Estou desesperado na frente do muro
Procuro respostas, sempre imploro

Estou muito cansado e inconsolável
Sou mais um fracassado no escuro
Que sempre diz: chorar é inevitável.

23/01/01

Autor: Arnaldo Lima (Alma)

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pranto

No esplendor do teu olhar vi teu encanto
Me entreguei aos teus suaves aconchegos
E nos carinhosos beijos meigos
Mas hoje tu és a causa do meu pranto

Isso tirou-me lágrimas, virou um espanto
Éramos apaixonados, mais que amigos
Hoje somos semelhantes a inimigos
Por isso me arrependo e sofro tanto

Agora estou totalmente perdido
Preso dentro de um grande labirinto
Com o coração muito ferido

Explicarei e direi o que realmente sinto
O meu olhar é triste, seu homem sofrido
Teu amor desapareceu, ficou extinto.

26/01/01

Autor: Arnaldo Lima (Alma)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Águas de repiquete

“Ah, que tristeza a fuga sub-reptícia do repiquete,
foi depressa casar com sereia do mar!”
Leandro Tocantins


Em tempo de repiquetes
pego-me a divagar com as águas que me viram crescer,
que me banharam de sonhos, e uma vez me disseram
por meio de uma espuma tão realista quanto bela:
- Neste mundo, com o sofrimento terás muito que aprender,
pois amar é senão, sofrer.

(e se desfez juntando-se ao curso das águas tão turvas,
que refletia a noite que havia em meus olhos!)

Ah, essas águas para quem contei tantos segredos
como um penitente faz a seu confessor,
e a quem tantos outros me revelaram também.
Das águas do meu tempo de menino, tornei-me pastor,
e guardar rebanhos caudalosos é o que tenho feito de lá pra cá,
vez por outra, me escapam algumas com o danado do repiquete.

(e se vão, sem saber que não poderão mais me ver,
mas vão rindo, rindo...)

Aquelas águas me diziam coisas inacreditáveis,
desde os vastos mares de suas irmãs distantes até aquelas
das grotas, que a elas se juntavam rumo aos mares infindáveis.
Tantas vezes as vi chorar e a elas me juntava,
naquele momento nos tornávamos um: elas choravam de grandeza,
eu de pequenez!

(muitos enlouquecem quando ouvem as águas chorarem, é um som
tão doce, semelhante àquelas que a Ulisses encantaram)

Muitas águas conheci, águas só entendem a linguagem da vida,
de uma feita dessas , me confessou uma que sonhara muito em conhecer o mar,
que o mar era tão belo, tão infinito... seu sonho era estar no mar, ser mar!
mas sabia que não o alcançaria, pois muitos a recolheriam, solos teria que regar,
a sede de outros saciaria e talvez teria ainda que subir até as nuvens, para em
lágrimas de alegria cair e assim, permitir a relva do campo florir.

(nunca me esqueci das águas daquela fonte, foi uma das primeiras
lições que delas recebi: partir!)

As águas são sábias! Quando curumim
elas me ensinaram a coragem e a mansidão.
Não há águas revoltas. Há acidentes em seu caminho,
há fenômenos que lhes distorcem o que são.
As águas são, em essência, serenas e mansas
à semelhança da alma que nos habita!

(descobri que há muitas semelhanças entre as águas e a nossa alma,
entre o que nos agita, e aquilo que realmente somos)

Quando do primeiro repiquete, as águas descem em coro,
espalhando pelos quatro cantos da floresta o canto de renovação,
e tudo lava e tudo leva e tudo louva
vem decidida com suas forças, transformando cores e paisagens.
O homem de longe a contempla, abismado e fascinado
ante aquelas águas, metáfora de sua vida.

(as águas de repiquete são, na verdade, poemas que as chuvas desfizeram,
por isso elas descem em forma de canção...)

Uma vez lá nos barrancos da minha infância, numa tarde em que chovia
pétalas de luz sobre as águas, numa dicotomia de saudade e encanto,
uma pequena folha que vinha dançando sobre aquele mar de águas douradas,
ante meu rosto desconcertado pelo brilho da tenra idade , balbuciou estas palavras:
- Há três tipos de homens que entendem as águas: os loucos, os poetas e os santos!
Daí em diante, comecei apascentar águas num curral sem cercas!

(a vocação das águas é serem livres, por isso, os repiquetes quando vêm,
vão enchendo a mata de liberdade, todos participam da festa: igapós, lagos, grotas...)

Cresci vendo as águas passarem! A bem da verdade, eu tinha um rio só meu,
meu e de todos os que sonhavam. Esse rio, dizia minha mãe, foi presente
que teu pai deixou antes de partir a lugar algum, foi num final de tarde quando
as águas passaram te acenando, e ele viu de teus olhos poemas caírem
como chuva, e escorrerem rumo aquelas águas crepusculadas
de angústia e felicidade, de dor e amor, em busca de sentido e eternidade.

(as águas que passavam em frente a minha casa, vinham de muito longe,
sofrendo como em todo caminhar, no entanto, só passavam cantando!)

Um dia, num tronco irmanado com o rio, me encontrava em colóquio com as águas,
quando respingou em mim uma gota, fruto de um rebojo, que se pôs logo a dizer:
- Sede como elas, as águas, mesmo que algumas sejam feitas prisioneiras,
outras estarão em perene caminhar. Sede fiel ao que te lanças a alcançar,
assim como elas são na busca pelo mar!
E evaporou-se num êxtase ao sentir a mão do sol a acariciá-la.

(as gotas d’águas, por menor que sejam não são insignificantes, me disse uma
certa vez, juntas formam uma poça, um lago, um mar...)

Outro dia tive um sonho, desses sonhos de menino besta da vida.
Estava novamente diante das águas que me viram ser,
do alto de um barranco, eis que avistava um repiquete cabeça d’água,
como num batalhão, numa só cadência, marchando em minha direção,
vinha inundando tudo, meu Deus!, eu estava às margens do rio,
as águas será que me levariam? Nesse momento acordei.

(desperto, envolto numa aurora de nostalgia, lembrei-me do que me dissera
certa vez um repiquete, que jamais a mesma água voltava a sua nascente...)

Ah! aquelas águas onde estarão, não sei
águas de repiquete passam rápidas como a gente,
quem apenas olha para atrás, perde de vista as da frente.
Cresci com a força das águas, a exemplo dos repiquetes,
embora passem em fuga sub-reptícia, homem e terra fecundam
cumprindo a promessa do Criador de um dia: novo mundo...

(não chores, acalentou-me uma lágrima,
foi Deus quem te deu a vocação de ser como as águas...)


Autor: Izaquiel Melo Evaristo (Isaac Melo)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Tk7dois1 pronta pro Grito Rock



Com muita alegria e rock na bagagem, os meninos de Tarauacá embarcam nessa sexta-feira, 27.o2, para Rio Branco, onde irão participar do maior evento de rock da capital dos acreanos.
Giovanni, Randin, Leandro, Janaína e Milton vão mostrar o o som de Tarauacá, dividindo o palco com outras 15 bandas que vão participar do evento. Os tarauacaenses que moram em Rio Branco estão convidados a prestigiar a TK 7dois1. O Grito Rock Rio Branco começa a partir das 20 horas, na AFELETRO, na rua Antônio da Rocha Viana, próximo a Igreja Universal (SEDE). A banda Tk 7dois1 se apresenta na sexta feira, as 23 horas e vai mostrar suas últimas composições. O Grito Rock Rio Branco será transmitido ao vivo pela internet pela web rádio fora do eixo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

I Fórum Setorial Integrado do Conselho Municipal de Políticas Culturais de 2009


Segundo o dito popular “o ano só começa após o carnaval”, mas para quem participa do Sistema Municipal de Cultura de Rio Branco o ano já começou! O primeiro compromisso é com o Fórum Setorial, marcado para terça-feira (17), no auditório do SEBRAE, às 17h. Se você é artista, esportista ou atua na área de Patrimônio Cultural, não deixe de participar do I Fórum Setorial Integrado do Conselho Municipal de Políticas Culturais de 2009.


Entre as pautas do Fórum estão a reestruturação da FGB, a aprovação do cronograma de trabalho do Conselho Municipal de Políticas Culturais para 2009, a II Conferência Municipal de Cultura, a construção do Plano Municipal de Cultura, a construção do Sistema Municipal de Esporte e Lazer e definição de data da I Conferência Municipal de Esporte e Lazer, a finalização do Regimento Interno do CMPC e os editais da Lei de Incentivo e Fundo Municipal de Cultura.


Diga, aponte, esclareça, participe, decida, enfim, tome de conta da cultura rio-branquense!
Mais informações: 3224-0269



sábado, 7 de fevereiro de 2009

Amada

Estou ansioso pra ver minha amada
Nessa solidão fico desesperado
Nos meus sonhos ela vem voltando
Para os meus braços, toda apaixonada

Aqui espero, e como sempre, não vejo nada
Sozinho, na esperança de continuar amando
Insistir e implorar quase chorando
Com a alma entristecida e abandonada

Amada, amada, por um beijo suspirei
Tu me deixaste nesta negra solidão
Teus olhos, desesperadamente procurei

Tu me deixaste aqui, na escuridão
Amada, amada, fiquei triste e chorei
Se te amar é um pecado, imploro perdão.

16/12/00

Autor: Arnaldo Lima (Alma)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Acreano e não acriano!

Com extrema rapidez vi muita gente adotar o termo sugerido pela reforma ortográfica versão 2009 para designar os nascidos nas belas terras do Acre. Diz a nova regra que o correto é grafar “acriano” e não “acreano”, como já estávamos acostumados há mais de um século a designar o nosso gentílico. Os argumentos são de que a nova grafia vai facilitar a comunicação entre os países de língua portuguesa, que eles chamam de “lusófonos”.

Sou contra. Pra mim vamos ser sempre acreanos. Do pé rachado ou não, mas acreanos. Não vou adotar.

O termo acreano faz parte da nossa cultura. Ele já resulta de uma incorreção quando o seringalista João Gabriel, reconhecidamente tabaréu, lá pelo fim do século XIX, não acertou escrever o nome “Aquiri” e abarcou “Acre”, conforme reza a lenda. O termo, mesmo errado, foi o que ficou e nos fez acreanos e não a “aquirianos”. Ora bolas, já somos acreanos há mais de século, então por que mudar agora?

É uma questão de identidade, coisa que uma norma, uma lei ou uma decisão de “iluminados” filólogos jamais vai mudar.

Fonte: http://www.tiaovitor.blogspot.com/

domingo, 11 de janeiro de 2009



Pinturas de Manoel Arquilásio Ferreira Diniz


Contato: (68) 9282 87 47


BEIJA-FLOR


Óleo sobre tela - 40x40cm – 2006




AMANHECER


Óleo sobre tela - 53x30cm – 2007




PAISAGEM NATURAL


Óleo sobre tela - 53x30cm – 2008